sábado, 22 de março de 2008

Monteiro Valente - FECAP

"Num comunicado, a FECAP lamenta «todos os aproveitamentos políticos que este e outros casos possam suscitar, especialmente por parte de responsáveis e representantes de instituições com fins inconfessáveis».

A FECAP «denunciará todas as tentativas oportunistas de mostrar serviço por parte de quem em primeiríssimo lugar deve ter sempre presente que a complexidade dos problemas sociais em que vivemos não são resolúveis com linhas de atendimento tipo menu».

Em declarações à Agência Lusa, o presidente da FECAP, Monteiro Valente, explicou que se está a referir à linha SOS Professor e aos sindicatos Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE)."

"No comunicado, a FECAP afirmou que o caso da agressão da aluna à professora «não deve ser aproveitado de forma demagógica e criadora de alarme social».

No entanto, defendeu que a «atitude da aluna e de outros jovens da turma é reprovável e deverá dar lugar a um rigoroso inquérito»"

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Desde logo, vem-me à cabeça uma pergunta: que fins inconfessáveis são esses, que Monteiro Valente parece conhecer, ao contrário do cidadão comum?

Mais uma vez, vemos uma federação de associação de pais a querer meter a cabeça na areia, tentando desvalorizar uma situação, nas suas palavras reprovável, mas não o reprovável suficiente para haver um debate público e político sobre esta temática. Aproveitamento demagógico criador de alarme social? Mas não considera que esta e muitas outras situações semelhantes, são alarmantes? Mas estava à espera que os sindicatos de professores, repito, de professores, classe à qual esta colega de Francês pertence, ficasse calado com mais esta agressão a um membro desta classe?

«Os sindicatos sistematicamente centram o professor nas escolas, quando temos uma política onde a figura central das escolas é o aluno»?

Diga-me, onde se enquadra o debate acerca da violência sobre os professores, e a sua defesa por quem de direito, numa centralização nos professores? Não foi um professor a ser agredido? Ou acha que a agressão de um aluno a um professor não é razão suficiente para ser discutido? São muitas perguntas, não são? Pois, são o espelho de alguém que sabe que se fosse o contrário, um professor a agredir um aluno, a conversa seria outra, e aí, o debate poderia ser feito. Visto ser o contrário, e as razões sócio-culturais destas agressões apontarem os pais, que constituem a sua associação, como parte do problema, é fácil tentar desvalorizar este, e outros casos, e apontar baterias aos professores!

2 comentários:

Peixoto disse...

Só gostava de saber quantos pais representam estas associações. Ainda por cima, certamente que apenas representam os pais que se interessam pela vida dos seus filhos, ignorando aqueles que desprezam a vida escolar dos seus filhos...

visiense disse...

A grande maioria as associações de pais do país, representam uma pequeníssima minoria dos pais com filhos em idade escolar. Estas associações tornam-se portanto muitas vezes, em espaços de aproveitamento mediático! Enquanto isso, os restantes pais, estão completamente fora dessas associações, não se revendo, e muitas vezes, nem sequer sabendo, por falta de interesse, que "existem"... Ao contrário dos sindicatos, que representam a maioria dos professores, as associações de pais, apenas representam uma pequena minoria. Qual então a sua legitimidade para pôr em causa o papel dos sindicatos, quando a sua instituição maior é dependente do Ministério da Educação?