quarta-feira, 19 de março de 2008

Um momento de loucura...

Este é um texto que fiz num momento de profunda reflexão filosófica, durante a duração da minha cigarrilha, na noite de 21 de Janeiro! Para ser, ou não, levado a sério, que estes momentos têm um quê de insanidade...


O ser humano tem uma característica que é ao mesmo tempo um defeito e uma virtude: a insatisfação. Em muitas áreas da nossa vida, a insatisfação leva-nos a progredir, a evoluir, e melhorar! Mas ao mesmo tempo, essa mesma insatisfação leva-nos a que muitas vezes não sejamos felizes, pois por mais que a vida melhore, queremos sempre mais!

Numa empresa, a insatisfação do seu dono leva ao seu crescimento, e por consequência, à melhoria da qualidade de vida deste, e dos funcionários. Isto se não der lugar à ganância. Aí, a melhoria da qualidade de vida do empresário é inversamente proporcional à dos funcionários! A do primeiro, aumenta, a dos segundos, infelizmente, diminui… Ganância não é empreendorismo, mas são muitas vezes confundidos, principalmente nesta era da globalização.

Na Ciência, na Educação, na Saúde, a insatisfação é, ou devia ser, o motor do seu avanço. Devemos ter sempre como meta a perfeição, mas sempre com a consciência de que essa mesma perfeição é uma meta inatingível! E não nos devemos lamentar por isso, mas sim, motivar para nos aproximarmos o possível desse objectivo.

O ser humano é uma espécie fácil, e ao mesmo tempo, difícil de gerir. Sempre devido à tal insatisfação. Se neste momento, por algum milagre, tudo o que uma sociedade exige fosse concedido, não iria tardar muito até que a insatisfação voltasse a surgir. É inerente à nossa consciência colectiva.

Por muito que qualquer governo batalhe, essa nossa característica não permite a sua permanência por muito tempo. Não há nenhum governo que seja popular por muito tempo, pois por mais que se queira, não há como agradar a gregos e troianos.

No exemplo actual, apesar de algumas boas medidas, as más, são aquelas que têm mais visibilidade. E o ser humano, como não podia deixar de ser, não está satisfeito. O grande erro de qualquer governante, é tentar governar apenas através de leis. Apenas alguns exemplos. Uma possível medida correcta e perfeitamente de acordo com a melhoria de um sector tão fundamental como a Educação, como é uma prova de ingresso na carreira docente, é transformada numa medida injusta, prepotente, e contra todos os princípios democráticos! Uma medida tão necessária como a reformulação das urgências, é transformada numa medida apenas com carácter economicista, sem quaisquer preocupações regionais!

Qual a razão destas situações acontecerem? Em poucas palavras, a falta de humildade para reconhecer erros, a prepotência contraída com o poder, e o delírio legislativo! As melhorias, os avanços, o progresso, nada disto é decretado, é posto em prática! E falta humildade dos nossos governantes, e políticos, para perceber que o que é perfeito no papel, é muitas vezes imperfeito, e até impraticável na realidade, e torna a governação num acto, que me atrevo a chamar de ditatorial!...

O governo actual prima por estes defeitos. Quer entrar na História como um governo corajoso e reformador, mas a verdade é muito diferente, e a mesma História lhe dará o seu devido valor!

1 comentários:

Ângela disse...

Caro colega, descobri o teu blog por mero acaso mas identifico-me bastante com o que escreves; pois sou professora do 1º ciclo e como tu sou contratada e não tenho os bem ditos 5 anos de serviço. Estamos juntos nesta luta!
Ângela Santos
gajinha@gmail